ACORDOS DE TURNO DE REVEZAMENTO


O Acordo de Turnos de Revezamento das empresas Fíbria e Ahlstrom termina no dia 31 de agosto. Por isso, estamos convocando todos os trabalhadores (as) turnistas para participarem das assembléias, em que daremos início à Campanha pela Renovação do Acordo de Turnos Ininterruptos de Revezamento e em Defesa da Quinta Turma o ano inteiro. É fundamental que a categoria participe dessas assembléia, para que possamos preparar, em conjunto, uma ampla campanha que assegure avanços no acordo de turnos.


A luta pela redução da jornada de trabalho está presente desde as primeiras lutas da classe trabalhadora. A redução da jornada e a melhoria das condições de trabalho sempre foram obtidas com muita dificuldade. Antigamente, quem trabalhava em turnos, ficava até 12 horas na fábrica, sem tempo livre, sem folga. Por isso, é importante termos a perspectiva da história para valorizar as conquistas obtidas e encontrar nelas o estímulo para continuar a luta, sabendo que é possível vencer

Acompanhe abaixo toda cronologia desta luta:


Todos os sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) estão engajados na campanha nacional pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Esta é uma bandeira histórica do movimento sindical. Faz parte também dessa luta que a CUT está empreendendo, conjuntamente com outras centrais, a nossa permanente campanha pela quinta turma para os trabalhadores em turnos de revezamento. Leia abaixo:

-Trabalho em turnos, Prejuízos à saúde, Turnos no Brasil


O trabalho em turnos de revezamento submete as pessoas à condições penosas, desorganiza o ciclo biológico do trabalhador, por causar mudanças de horário, reduz a capacidade de recuperação do organismo dos desgastes, por conta da alternância do sono. Aumenta também os riscos de acidentes e desorganiza a vida pessoal. Por causar tantos problemas, é preciso garantir condições especiais para que o trabalho em turnos seja realizado. Por isso, é importante a adoção da Quinta Turma. Ela traz uma série de vantagens, tanto para o trabalhador quanto para a sociedade. A adoção de cinco turmas, o ano inteiro, exige a contratação de novos funcionários, portanto, aumenta a oferta de empregos em empresas que não praticam a quinta turma o ano inteiro A Quinta Turma permite ainda que o turnista tenha mais tempo livre e um espaço de descanso maior entre as jornadas de turnos. Estando mais descansado, ele trabalhará melhor, sem estresse e os acidentes de trabalho tendem a diminuir. Além disso, o tempo livre do trabalhador poderá ser dedicado ao estudo, ao progresso profissional, a uma convivência maior com a família e um maior tempo ao lazer e à diversão.


• 1988 — A Constituição é promulgada e assegura jornada de 6 horas para os turnos ininterruptos de revezamento.

• Março de 1989 — Implantada a Quinta turma com jornada de 6 h e escala de 6x1 e 6x2

• Novembro de 1991 — Depois de muita luta, conquistamos mudança na escala. Passamos a trabalhar 8 h diárias, com o dobro do número de folgas e a escala passou a ser 5x3,5x3,5x5.

• Novembro de 1993 — A VCP compra a Papel Simão e rasga o acordo existente.

• Dezembro de 1993 — A VCP corta a Quinta Turma e implanta o horário fixo e diz que só discute turnos se fosse assinado um acordo de 6x2.Os trabalhadores resistem e os turnos fixos são mantidos.

• Janeiro de 1994 — A VCP demite 150 funcionários e inicia guerra contra o sindicato, para forçar o acordo 6x2 com revezamento. Vamos a Brasília falar com o ministro do Trabalho, abrimos processos trabalhistas e realizamos manifestações , vigílias e protestos.

• Junho de 1995 — A empresa começa a admitir o retorno da Quinta Turma.

• Agosto de 1995 — Reconquistamos a Quinta Turma, mas durante cinco meses do ano vigora a escala 6x2.

• Julho de 1996 — Iniciamos a campanha pela renovação da Quinta Turma, mas sempre lutando pelo 5x3,5x3,5x4 o ano inteiro.

• Agosto de 1998 — Nova luta pela renovação da Quinta Turma.

• 2000 — Mantida a Quinta Turma, com pagamento pela primeira vez do abono indenizatório.

• 2002 — Mantida a Quinta Turma, com pagamento do abono indenizatório.

• 2004 — Mantida a Quinta Turma, com pagamento do abono indenizatório

• 2006 — Mantida a Quinta Turma, com pagamento do abono indenizatório e o mínimo de 180 h.

• 2008  Mantida a Quinta Turma, com pagamento do abono indenizatório e o mínimo de 180 h.

• 2010  Mantida a Quinta Turma, com pagamento do abono indenizatório e o mínimo de 180 h.

• 2011 — Em dezembro, a empresa Ahlstrom rasga parcialmente o acordo vigente e altera a escala de trabalho dos companheiros das áreas JC2 e Acabamento de Papel .

• 2012 — Reivindicamos Quinta Turma o ano inteiro.

       

Trabalho em turnos

O trabalho em turnos remonta há cerca de 7 mil anos A. C., quando o ser humano dominou o fogo, passando a alimentar-se de comidas quentes e ter uma iluminação à noite, mesmo que precária, propiciada pelas chamas do fogo. A partir daí, a humanidade teve condições de permanecer até mais tarde fora dos abrigos. As primeiras tribos nômades precisavam vigiar os rebanhos durante as horas normais de sono. Os antigos gregos e romanos usavam tochas para iluminar e utilizavam o serviço de soldados para guardar os acampamentos militares de eventuais ataques de inimigos, feitos na calada da noite. Marinheiros executava trabalhos noturnos para impedir que navios encalhassem. Com o advento da Revolução Industrial, no final do século XVII, e a invenção e o aperfeiçoamento da máquina a vapor, do tear e da máquina de fiar mecânica nasce a indústria moderna. O trabalho deixa de ser artesanal, realizado em casa, e passa a ser feito em fábricas, com produção em grandes quanti-dades e nas piores condições. No início do século XIX a jornada chega a 16 horas diárias. Surgem também as primeiras lutas operárias pela redução da jornada de trabalho. Em 1829 é inventada a luz elétrica. Com o seu aperfeiçoamento, a partir de 1882, já se pode usar equipamentos e ter ofertas de serviço o tempo todo. As grandes empresas passam a funcionar sem interrupção, ocorrendo o momento de maior evolução do trabalho em turno.

Prejuízos à saúde

O trabalho em turnos e noturno traz prejuízos à saúde do trabalhador. Altera o relógio biológico do organismo ou ciclo biorrítmico. O trabalhador pode apresentar manifestações como insônia, sonolência excessiva durante o trabalho, distúrbios de humor, com conseqüente aumento do número de acidentes, problemas familiares, sociais e emocionais. Depois de alguns anos submetido a esse trabalho, ele torna-se sério candidato a apresentar problemas crônicos como desordem do sono, doenças cardiovasculares e gastrointestinais e, também, incidência de muitos casos de separações e divórcios por dificuldades de convivência. Essa inadaptação do trabalhador pode levá-lo ao uso excessivo de remédios para dormir, além de fadiga crônica e manifestações contínuas de estresse.

Turnos no Brasil

A Constituição de 1988 garantiu a jornada de seis horas para trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento. Isso obrigou as empresas a implementar a escala de trabalho com cinco turmas. Infelizmente, ainda nos dias atuais, existem algumas empresas de fachada social, que não cumprem minimamente a legislação, forçando dessa forma algumas categorias a aceitarem o acordo com quatro turmas. Vale lembrar que no sistema de Quinta Turma, três equipes trabalham enquanto duas estão de folga. Assim, a jornada semanal passou de 42 horas para 33 horas e 36 minutos. A cada nova renovação do acordo de turnos, os Sindicatos lutam pela implantação da quinta turma o ano inteiro. A conquista da Quinta Turma garantiu o surgimento de mais postos de trabalho, reduziu o desgaste enfrentado pelas atividades em turnos ininterruptos de revezamento. É, portanto, uma luta que se insere perfeitamente no espírito da campanha da CUT pela redução da jornada de trabalho.

APURAÇÃO GERAL DA PESQUISA DE OPINIÃO TURNO DE REVEZAMENTO / CAMPANHA 2012

O Sindicato realizou uma pesquisa com todos os trabalhadores (as) turnistas das empresas Fíbria e Ahlstrom, o que nos permitiu identificar que os companheiros estão realmente dispostos a lutar pela Quinta Turma e por um acordo justo de turno ininterrupto de revezamento.

João Carlos, presidente do Sindicato, esclarece a categoria sobre acordo de turnos.

Para que os companheiros entendam como se calcula a jornada anual de trabalho vamos demonstrar passo a passo os procedimentos: 

A jornada de trabalho tem que ser calculada em 12 meses, em hipótese alguma ela será calculada em 11 meses sob o pretexto de que um mês é férias, porque se adquire direito às férias ao se completar 12 meses de trabalho e o período de férias é incorporado ao contrato de trabalho não mudando portanto o período de direito de aquisição.


Escala 6x4 o ano inteiro

Inicialmente vamos calcular a jornada na escala anual de 6x4. Essa escala possui CINCO TURMAS trabalhando e um CICLO de 10 dias corridos (somamse os dias de trabalho e os dias de folgas), após esses 10 dias, o CICLO se repete. O ano comercial tem 365 dias, a partir desses dados é possível saber quantos CICLOS teremos durante o ano. 

Exemplo: 365 / 10 = 36,5 (O ano tem 36,5 CICLOS na escala 6x4.)

Em cada CICLO, os companheiros (as) turnistas trabalham seis dias, portanto, temos assim, dados suficientes para saber quantos dias trabalhamos no ano. Exemplo: 36,5 x 6 = 219 dias de trabalho normal na escala 6x4. O nosso período diário de trabalho é de 8 horas, a partir disso podemos calcular o número de horas que trabalhamos durante o ano (jornada anual). Exemplo: 219 x 8 = 1752 horas de trabalho anual prevista na lei para turnos de revezamento.

Escala 6x2 o ano inteiro

Vamos usar os mesmos procedimentos e calcular a jornada na escala de 6x2, 6x2, 6x2 ( quatro turmas ano inteiro). Essa escala possui QUATRO TURMAS de trabalho e um CICLO de 24 dias corridos (somam-se os dias de trabalho e os dias de folgas), após esses 24 dias o CICLO se repete. O ano comercial tem 365 dias, a partir desses dados é possível saber quantos CICLOS teremos durante o ano. 

Exemplo: 365 / 24 = 15,21 (O ano tem 15,21 CICLOS na escala 6x2, 6x2, 6x2). 

Em cada CICLO, nós trabalhamos 18 dias, portanto temos assim dados para saber quantos dias trabalhamos no ano.

Exemplo: 15,21 x 18 = 273,78 dias de trabalho normal na escala 6x2, 6x2, 6x2. 

Também nessa escala o período diário de trabalho é de 8 horas, a partir disso podemos calcular o número de horas que trabalhamos durante o ano, (jornada anual). Para se ter o número inteiro de dias, devemos proceder a aproximação, ao invés de 273,78 dias teremos 274 dias. 

Exemplo: 274 x 8 = 2192 horas de trabalho anual. Portanto na escala de 6x4, 6x4, 6x4, a jornada anual é de 1752 HORAS. 

E na escala de 6x2, 6x2, 6x2, a jornada de trabalho anual é 2192 HORAS. 

O que nos dá uma diferença de 440 HORAS a mais durante o ano. Especialmente no setor papeleiro - que conquistou a 5ª TURMA- as empresas estão propondo acordos de escala mista que permite a eles um período de cobertura de férias, sem a necessidade de contratar mais trabalhador e muito menos pagar diferença salarial nas substituições de cargos.